Transformando a Concepção de Implementos Agrícolas em Desempenho Estrutural

O projeto de implementos agrícolas exige um processo que combine design eficiente, análise por elementos finitos (FEA) e otimização de fabricação, garantindo robustez, desempenho e custo-benefício. Neste artigo, exploramos as etapas fundamentais para realizar análises estruturais avançadas, desde a definição de componentes e funcionalidades até a obtenção e interpretação dos resultados.

Com o uso de softwares específicos para análise de elementos finitos FEA, desenvolvemos soluções personalizadas que atendem às particularidades de cada cliente, otimizando o design estrutural para maximizar resistência, reduzir custos e facilitar a fabricação.

1. Design de Componentes e Funcionalidades: Primeiros Passos do Projeto

Na etapa inicial de concepção, definimos o design e as funcionalidades de cada componente do implemento — do chassi e engate às laterais, ao piso e às rodas. A ilustração abaixo mostra o modelo básico em tonalidade neutra; e, a mesma geometria ganha cores distintas para evidenciar subconjuntos como engate, laterais e piso.

MODELO 3D NEUTRO
IMAGEM: MODELO 3D NEUTRO
MODELO 3D CARRETA AGRÍCOLA
IMAGEM: MODELO 3D CARRETA AGRÍCOLA

Nesse momento, alinhamos requisitos fundamentais (capacidade de carga, tipo de terreno e interfaces de montagem com o trator) e já consideramos as limitações de fabricação de cada cliente, garantindo que o projeto seja individualizado e customizado.

Em seguida, escolhemos materiais típicos do meio agrícola (por exemplo, ASTM A36 para o chassi e perfis tubulares de reforço) visando custo acessível e facilidade de produção. Aplicamos cargas representativas — como os 4.000 kg distribuídos sobre a carroceria e os esforços de tração de um trator de 100 cv — e definimos condições de contorno apropriadas (vínculos nas rodas, apoios no engate e contatos de solda). Por fim, simplificamos o modelo CAD para otimizar o desempenho da malha, estabelecemos critérios de refinamento e selecionamos parâmetros de elemento que garantam a convergência e a precisão da análise FEA.

2. Preparação da Geometria para Análise de Elementos Finitos (FEA)

Na preparação da geometria para FEA, transformamos componentes de perfil tubular e chapas em superfícies de casca com espessura equivalente. Essa “extração de superfícies” reduz em muito o número de elementos no modelo, melhora a qualidade da malha (menos elementos distorcidos) e acelera a geração de malha, sem comprometer a precisão dos resultados.

GEOMETRIA PARA FEA
IMAGE: SUPERFÍCIE SIMPLIFICADA PARA GERAÇÃO DE MALHA
GEOMETRIA PARA FEA
IMAGEM: SUPERFÍCIE SIMPLIFICADA PARA GERAÇÃO DE MALHA

Em seguida, aplicamos defeaturing: removemos filetes, chanfros, furos menores e relevos irrelevantes, substituindo transições curvas por cantos vivos ou superfícies planas simplificadas. Essas operações — feitas no CAD ou no pré-processador (Inventor, SpaceClaim, ANSYS DesignModeler etc.) — cortam ainda mais nós e elementos, eliminam zonas de refinamento desnecessário e reduzem erros numéricos. Com isso, garantimos malhas homogêneas, convergência mais rápida e fatores de segurança robustos, mantendo a fidelidade ao comportamento global da carreta agrícola.

Vale destacar que o processo de defeaturing é uma etapa crítica e deve ser conduzido por profissionais qualificados, pois a remoção equivocada de certos detalhes estruturais importantes pode comprometer a rigidez do conjunto, alterando significativamente os resultados da análise.

4. Preparação da Malha e Condições de Contorno.

O processo de defeaturing realizado anteriormente contribui diretamente para a geração de malhas de alta qualidade, facilitando o controle sobre a uniformidade e evitando elementos excessivamente distorcidos. Após simplificarmos a geometria, iniciamos o processo de geração da malha com a seleção criteriosa das superfícies previamente idealizadas. Para cada superfície, atribuímos uma espessura equivalente ao modelo sólido original, preservando a fidelidade estrutura

MALHA FEA
IMAGEM: GERAÇÃO DE MALHA A PARTIR DA SUPERFÍCIE
MALHA FEA
IMAGEM: GERAÇÃO DE MALHA A PARTIR DA SUPERFÍCIE

Na sequência, definimos os materiais adequados para cada componente conforme as características reais de fabricação, garantindo que o comportamento mecânico do modelo corresponda precisamente ao do equipamento real. Uma boa malha, fruto da geometria simplificada e cuidadosamente idealizada, é essencial para assegurar resultados precisos, estáveis numericamente e com rápida convergência nas análises. Essa etapa cuidadosa, portanto, garante confiabilidade nos fatores de segurança e robustez na interpretação dos resultados obtidos.

5. Análise de Resultados

Na fase final da análise de elementos finitos, obtemos os resultados numéricos que demonstram o comportamento estrutural do implemento agrícola sob as cargas e condições definidas. Porém, é fundamental que a interpretação desses resultados seja feita por profissionais qualificados, com critério técnico e profundo conhecimento dos fenômenos envolvidos.

RESULTADOS FEA
IMAGEM: RESULTADOS DA SIMULAÇÃO, APRESENTANDO AS TENSÕES DE VON MISES
RESULTADOS FEA
IMAGEM: RESULTADOS DA SIMULAÇÃO, APRESENTANDO AS TENSÕES DE VON MISES
RESULTADOS FEA
RESULTADOS DA SIMULAÇÃO, APRESENTANDO AS TENSÕES DE VON MISES
RESULTADOS FEA
IMAGEM: RESULTADOS DA SIMULAÇÃO, APRESENTANDO OS DESLOCAMENTOS

A análise exige que saibamos identificar claramente regiões críticas (hot spots) e diferenciá-las de singularidades geométricas ou numéricas, que podem causar falsas indicações de altas tensões. Um profissional experiente saberá avaliar a convergência de tensões através de refinamentos sucessivos da malha, garantindo que os resultados obtidos sejam reais e não apenas efeitos da discretização utilizada.

Além disso, é essencial verificar a convergência das forças reativas nos apoios, assegurando que as condições de contorno aplicadas sejam coerentes com o comportamento físico esperado. O critério técnico rigoroso na interpretação dessas informações é o que garante segurança na validação do projeto estrutural, permitindo decisões assertivas quanto a possíveis reforços e melhorias no equipamento.

O processo completo da análise estrutural por elementos finitos pode ser resumido nas seguintes etapas:

PROCESSO FEA
IMAGEM: PROCESSO DE TRATAMENTO DE GEOMETRIA, PREPARAÇÃO DA MALHA, CONDIÇÕES DE CONTORNO E ANÁLISE DE RESULTADOS

Modelagem Conceitual (CAD):
Criamos o modelo inicial da carreta agrícola com todos os componentes estruturais e funcionalidades definidas.

Preparação da Geometria (Superfícies):
Simplificamos o modelo CAD, convertendo componentes sólidos em superfícies representativas, facilitando a etapa de malhagem.

Malhagem e Aplicação das Condições de Contorno:
Geramos uma malha precisa com elementos de qualidade, definimos espessuras equivalentes e materiais, além das condições de contorno e cargas de projeto.

Análise e Interpretação dos Resultados:
Executamos a simulação numérica, avaliamos as tensões obtidas, verificamos convergências e singularidades e definimos critérios para decisões técnicas assertivas sobre o equipamento.

Quer entender como isso funciona na prática? Entre em contato com a equipe da FEA Brasil e descubra como análise de elementos finitos também pode ajudar você na otimização de implementos agrícolas.

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